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Manhã Produtiva

TRIZ - Uma Metodologia Voltada para a Inovação
Palestrantes: Marco Aurélio de Carvalho e Valdir Luiz Moretto

 

As empresas sabem que precisam inovar, mas como?

 Isso demanda processos e metodologias para gerar soluções inovativas, uma vez que qualidade e preço já não são mais os únicos diferenciais. E como os concorrentes estão inovando, quem quer crescer precisa correr para acompanhar essa tendência. É nesse contexto que está baseada a TRIZ, uma metodologia russa para a Resolução de Problemas Inventivos, que tem como competência central a invenção. 

 O tema foi pauta do Manhã Produtiva, evento realizado mensalmente pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), que reuniu no dia 26 de junho, aproximadamente 100 representantes de organizações. O método foi apresentado pelo especialista brasileiro Marco Aurélio de Carvalho, engenheiro mecânico da Aditiva Consultoria em Engenharia Ltda, professor do UTFPR e doutorando em Engenharia da Produção (UFSC) e por Valdir Luiz Moretto, gerente de qualidade de fornecedores da Tritec Motors, pós-graduado em Administração Empresarial. Carvalho abordou os conceitos básicos da TRIZ e Moretto apresentou exemplos de aplicação da TRIZ em empresas. 

 Inovação e invenção

 A TRIZ parte do princípio de que a inovação vai além da invenção, porém não há inovação sem invenção, explica Carvalho. “A TRIZ nos ajuda a definir a solução ideal e resolver as contradições para chegar nessa solução”, diz ele. É uma metodologia que oferece conhecimento a partir de soluções inventivas e incentiva a generalização, ampliando assim a quantidade de possíveis soluções, além de ser uma importante ferramenta para a tomada de decisão.

 A TRIZ baseia-se em cinco conceitos fundamentais: idealidade, contradição, recursos, funcionalidade e sistemática. A idealidade é a solução perfeita, porém nem sempre viável ou apropriada. Nesse caso, recomenda-se dar um passo atrás, mas sem perder o foco. A contradição parte do paradoxo, do absurdo, para provocar a criação. O item recursos propõe a utilização do que se tem disponível, isto é, dos próprios recursos e elementos que compõem o problema, para com eles resolver ou buscar a solução do problema. Já a funcionalidade requer a transferência de conhecimentos de uma área para outra. 

 O quinto conceito, a sistemática, é a visão global do problema, passado, presente e futuro. Dessa forma, a TRIZ organiza o processo de criatividade. “O brasileiro é criativo, mas não valoriza essa capacidade, e a TRIZ ajuda a acelerar o processo criativo, inclusive gerando confiança na capacidade criativa das pessoas”, comenta Carvalho.
 A TRIZ foi criada na década de 50 pelo russo G. S. Altshuller, que não era acadêmico, mas um apaixonado por invenções. Ele juntou mais de 50 brevês de patentes de indústrias ocidentais, buscou saber porque aquelas invenções foram patenteadas e o que tinham de inovativo. Induziu pessoas a pensarem nos princípios lógicos que orientavam os processos inovativos e de suas indagações nasceu um modelo estruturado cientificamente, que vem auxiliando as organizações a pensar e desenvolver soluções em diversas áreas. 

 Soluções

 Waldir Moretto demonstrou como, por meio da metodologia TRIZ, foi possível encontrar soluções mecânicas aparentemente contraditórias entre a direção de veículos e a sua aceleração. Dessa forma, conclui Carlos Artur K. Passos, superintendente do IBQP, “a metodologia TRIZ constitui-se em um instrumento de sistemática ampliação da criatividade humana, podendo ser útil também para resolver de modo criativo problemas mais rotineiros dos processos produtivos, bem como abordar e solucionar questões de nossas vidas quotidianas”.