Para apresentar às organizações paranaenses os benefícios de um programa que visa integrar fornecedores e grandes empresas, o evento Manhã Produtiva, realizado mensalmente pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), apresentou no dia 26 de setembro o caso de sucesso do Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (Pprodfor), criado no Espírito Santo/ES.
Sob o tema Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores, a experiência capixaba foi apresentada por Luciano Raizer Moura, Doutorando e Mestre em Engenharia de Produção pela USP, professor do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo e Coordenador Executivo do Prodfor. Além de explicar como funciona o programa, Moura mostrou uma pesquisa com a mensuração dos resultados financeiros proporcionados pela qualificação das empresas.
O Prodfor é fruto de um arranjo institucional inédito entre 12 grandes empresas, entre elas a Aracruz Celulose, Chocolates Garoto e Petrobras, com o apoio e coordenação da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), através do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES). Desde 1997, as 12 empresas continuam como mantenedoras do Programa, porém hoje, diz Moura, “contamos com 297 fornecedores certificados e 45 em fase de habilitação, que brevemente terão, não a garantia de compra, mas o selo diferencial de fornecedor Prodfor, válido por dois anos”. Este certificado significa que a empresa está apta a atender grandes empresas. É como uma ISO, pois o Programa capacita fornecedores para desempenhar seu papel com maior qualidade, preço, prazo de entrega etc. Assim, diz Luciano Moura, “formamos uma rede de fornecedores competentes, e isso envolve estabelecimento de critérios, avaliação de desempenho, entre outros requisitos”.
Vale ressaltar, que para participar do Prodfor o fornecedor precisa ser indicado por uma das empresas mantenedoras, e a candidata ainda está sujeita à aprovação, uma vez que as mantenedoras têm direito de veto.
Mobilização
Em 2006 o Prodfor iniciou também a gestão ambiental e a gestão de saúde e segurança, e recentemente criou norma própria para gestão financeira, fiscal e trabalhista. “Nossa intenção é incentivar para que os fornecedores tenham competência de gestão e busquem também outros certificados; só não focamos responsabilidade social, mas de certa forma isso acaba acontecendo em função da melhoria das organizações”, comenta Moura.
Em pesquisa realizada pelo Prodfor, 90% dos fornecedores certificados vêem no programa uma oportunidade de melhoria de sua organização, já que eles mesmos responderam que a média anual de suas vendas teve um aumento de 17%. Esse aumento foi constatado após a certificação do programa, bem como a geração de emprego, que cresceu 7,8% ao ano, juntamente com a melhoria da liquidez e rentabilidade dos negócios. Do total de fornecedores pesquisados, 60% das empresas são de serviços e 20% da indústria.
O Paraná não possui nenhum programa como o Prodfor, mas segundo os participantes do evento, seria importante criar algo semelhante, pois a demanda existe. Para Renato de Souza, responsável pelo setor de fornecimento da Volvo, o Paraná tem potencial para o desenvolvimento de um trabalho como esse. Além de potencial, diz ele, “é necessário que se faça algo nesse sentido aqui, uma vez que o nível de fornecedores precisa ser melhorado, em especial da cadeia que presta serviços aos nossos fornecedores diretos, e a Volvo não tem alcance para esse trabalho sozinha”. Nesse sentido, Luciano Moura colocou-se à disposição do IBQP para ajudar na criação de um programa no Paraná.
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